Ainda somos os mesmos?

junho 17, 2019 9:01 pm

“Minha dor é perceber, que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos Pais” (1976, Belchior)

Sabemos que nossos filhos não nasceram com manuais. Nem vocês, pais, mães e responsáveis, nasceram sabendo como ajudá-los na sua trajetória de vida. Anualmente precisamos tomar decisões pelas quais passam o futuro deles e ainda precisamos estar atentos ao contexto em que as coisas estão nos sendo apresentadas, por esse motivo a escolha ou permanência de seu filho em uma boa escola passa a ser atualmente uma condição fundamental em seu futuro.

Os desafios agora são outros e as nossas decisões passam a ser mais importantes e uma simples mudança pode acarretar em resultados positivos ou negativos. A geração dos nossos filhos é extremamente diferente da nossa. Os conceitos e padrões mudaram, a tecnologia ao mesmo tempo em que traz informação deixa-nos atordoados e cada vez mais ansiosos. Além disso, a forma de pensar e agir que se modificou para nossos filhos mudou também para nós! 

Precisamos fazer escolhas assertivas e educá-los para um futuro de incertezas e muitas vezes não sabemos quais os caminhos para guiá-los. Tudo é muito rápido e a velocidade nos traz muitas angústias também, deixando-nos inseguros das nossas escolhas. Em ¨nossa época¨, já com profissões consolidadas, tínhamos dificuldade de escolher nossa trajetória. Como podemos acompanhá-los e orientá-los de maneira a não interferirmos de forma drástica? Falo sobre isso, pois como mãe e por anos como diretora de escola sei que na maior parte das famílias as decisões de estarem nesta ou naquela escola vem dos filhos e às vezes, eles não fazem a melhor escolha por falta de orientação, por querer alçar novos voos e ter maior independência, muitas vezes nossos jovens escolhem errado e são lançados para um mundo em que ainda não estão preparados para enfrentar.

Nenhuma resposta é fácil quando estamos nos referindo a educação dos nossos filhos, principalmente quando se refere as questões comportamentais e emocionais, portanto é necessário que conheçamos nossos filhos suficientemente para entender que este processo de mudança não afetará as estruturas e alicerces formados até ali. Se você tem convicção que seu filho saberá lidar com as situações ruins que possam vir acontecer a ele, parabéns, você pode soltar seu pássaro para voar, agora se você tiver dúvidas de como ele vai lidar com uma situação difícil cuide e ainda o mantenha seguro embaixo de suas asas e prepare-o mais um pouco para a vida.

Precisamos saber que a escolha e opção de uma escola deve estar condicionada ao que queremos não só nos aspectos cognitivos, mas nos valores morais, nas amizades, nas escolhas que farão, bem como nas convicções que formarão. 

Nossa vida pode ser mais leve se conseguirmos auxiliá-los nas escolhas e acompanhá-los na sua jornada, para isso, é importante que tenhamos a parceria de uma boa escola e que está se preocupe também com as questões socioemocionais e que trabalhe esses conceitos em sala de aula, resgatando valores para vida, considerando que hoje as questões comportamentais das pessoas imprimem um valor muito grande para todos. Qual seria o comportamento do seu filho em um emprego no qual ele não gostaria de estar? Qual seria o comportamento de seu filho diante das frustrações que ele enfrentará? Se você acha que ele está preparado, já é metade do percurso, sendo que a outra metade é manter o foco e desenvolver uma pessoa com habilidades e competências fundamentais para o enfrentamento da vida real.

É necessário fortalecer o relacionamento entre todos: escola, família, crianças e jovens para que tenhamos pessoas felizes e com um futuro promissor. 

Seu filho é a melhor versão de você e nesse sentido é necessário muitas vezes resgatar estes conceitos e valores para que eles saibam a importância da convivência familiar nas escolhas para o seu futuro.

Escrito por Laura de Andrade